quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

"Cardo - Do Mato"

 Os cardos fazem parte da paisagem rural portuguesa e, em particular, assumem um papel marcante nas regiões do Alentejo e das Beiras. Seja nas extensas planícies alentejanas, douradas pela luz intensa do verão, ou nos campos irregulares das Beiras, onde se misturam culturas, matos e pastagens, o cardo surge como um elemento resistente, adaptado à dureza do clima e à irregularidade dos solos. A sua presença constante testemunha a força da natureza e a capacidade de sobrevivência em ambientes desafiantes.

Nesta proposta de trabalho, desafia-se os alunos a observar o cardo não apenas como planta silvestre, mas como objeto artístico: uma forma escultórica natural, rica em texturas, volumes e ritmos visuais. A estrutura espinhosa, a geometria das folhas e das flores, e o contraste entre aspereza e delicadeza oferecem um vasto campo para exploração no desenho e na pintura. Ao mesmo tempo, a ligação cultural do cardo ao território — presente em lendas, tradições agrícolas e no imaginário rural — permite aprofundar o olhar sobre a identidade visual das regiões do Alentejo e das Beiras.





















domingo, 15 de fevereiro de 2026

Poupa: Coroa do Silêncio

 A poupa (Upupa epops) é uma das aves mais emblemáticas da avifauna portuguesa, facilmente reconhecível pela sua crista alaranjada com extremidades negras, pelo bico longo e curvado, pelo voo ondulante e pelo padrão contrastante das asas. Para além da sua singular beleza, esta espécie assume um papel ecológico relevante, sobretudo no controlo de insetos, ao alimentar-se maioritariamente de larvas e invertebrados associados ao solo. Em Portugal continental, a poupa apresenta uma distribuição ampla, embora com diferenças regionais marcadas na sua abundância. É particularmente comum no interior do Alentejo, onde encontra condições ideais em paisagens abertas, montados de sobro e azinho, olivais tradicionais e áreas agrícolas extensivas. No que respeita às regiões das Beiras, a espécie ocorre de forma regular, sobretudo nas zonas raianas e interiores, sendo mais frequente durante a primavera e o verão, período em que se reproduz. A presença da poupa nestes territórios reflete uma forte ligação a sistemas rurais de baixa intensidade, onde a coexistência entre atividade humana e biodiversidade ainda se mantém. Assim, esta ave constitui não só um valioso indicador da qualidade dos habitats agrícolas tradicionais, como também um elemento simbólico da paisagem natural do Alentejo e das Beiras, justificando plenamente o seu destaque em projetos de estudo, valorização e sensibilização ambiental.










sábado, 17 de janeiro de 2026

SINFONIA SELVAGEM

Alentejo e Beiras, tão diferentes e tão próximas, onde a vida selvagem persiste. Em cada canto, um olhar; em cada gesto, um som. São fragmentos de um mundo que respira para além do humano, onde o tempo corre ao ritmo das estações e da lua, e onde a natureza é simultaneamente pintora, escultora e criadora de sinfonias. Percorrendo estas terras, sentimos o chamamento da liberdade: o coração do Alentejo, amplo e aberto; a alma das Beiras, misteriosa e profunda. E se escutarmos com verdadeira atenção, perceberemos que a vida selvagem não é apenas visível — ela habita os sons, os cheiros, a luz que dança nas folhas e nas pedras. É esse olhar atento e sensível que a próxima exposição nos propõe. Entre imagens, cenários e ecos da terra, vamo-nos deixar conduzir por esta viagem com alma, onde a vida selvagem se encontra com a memória humana. Animais pintados e desenhados surgem lado a lado com a arquitetura popular, os muros de pedra, as casas caiadas, os montes e aldeias que moldam o quotidiano do Alentejo e das Beiras — não como mundos separados, mas como partes de uma mesma paisagem vivida.

Próxima exposição: 7 de maio

Já começámos com novos trabalhos e a criação de nova cenografia que se entrelaçará com a já existente.